Fósseis do Cariri são resgatados

Cerca de 3 mil fósseis apreendidos pela Polícia Federal (PF) durante uma operação, em São Paulo, estão sendo devolvidos ao Cariri. O material foi pego com integrantes de uma quadrilha internacional, em 2013, no interior de Minas Gerais. De lá para cá, pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (Urca) têm solicitado o resgate desse material.

Esta é a maior restituição de fósseis já registrada na história da região, mesmo com a redução drástica do tráfico. O material é avaliado, no mercado negro, por U$ 7 milhões, e, com isso, acabou inibindo mais ainda a ação das quadrilhas especializadas na região.

A Justiça Federal acatou recentemente o pedido para devolução das peças. A primeira etapa envolveu material que se encontrava no almoxarifado da sede da PF, em Juazeiro do Norte, entregue durante esta semana. Foram 68 fósseis devolvidos, incluindo cinco crânios de pterossauros e exemplares de peixes raros. Mais 2.928 fósseis se encontram ainda no Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) e deverão se encaminhados para o Cariri.

Essa é uma das maiores apreensões realizadas pela PF nos últimos anos, com material fóssil da Bacia Sedimentar do Araripe (Abaiara, Crato, Jardim, Nova Olinda e Santana do Cariri) e a maior remessa de material extraído da região devolvido para ser encaminhado à Urca. O professor Álamo Feitosa é o fiel depositário das peças, e foi pessoalmente à PF para resgatar as caixas contendo os exemplares de diversas tipologias de fósseis, na terça-feira, acompanhado de estudantes que atuam no Laboratório de Paleontologia da Urca, o qual coordena, e do vice-reitor da instituição, Patrício Melo.

Segundo o coordenador do Laboratório de Paleontologia, todo esse material daria para montar um museu. Ele destaca a conquista para a região. “Esse foi um grande passo para desarticular quadrilhas especializadas que ainda atuavam na região do Cariri. Essa apreensão com certeza descapitalizou esse grupo”, diz .

Entre essas peças, foi divulgado, no ano passado, o esqueleto do pterossauro mais completo já encontrado na Bacia Sedimentar do Araripe, por pesquisadores da USP, raro exemplar de Tupandactylus imperator, com cerca de 115 milhões de anos. O material foi destinado pela Justiça Federal à USP.

Importância

A iniciativa da Urca, conforme Álamo, tem justificativas importantes, já que a universidade, ao longo dos anos, vem desenvolvendo importante trabalho de pesquisa para preservar a riqueza fossilífera da Bacia Sedimentar do Araripe. Além disso, conta com o projeto do Geopark Araripe, reconhecido internacionalmente, e o Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, para onde será destinado o material, após triagem no Laboratório de Paleontologia, no campus da Urca, no Pimenta, em Crato.

A operação para prender a quadrilha foi realizada nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Ceará. O material seria destinado a São Paulo para depois ser levado para os Estados Unidos, onde seria montado um museu particular com as peças. As investigações da Polícia vinham sendo realizadas desde 2012. Entre os integrantes do grupo, foram acusadas 13 pessoas, incluindo oito brasileiros, três alemães e dois franceses. Desse grupo, estão presos dois estrangeiros.

Ainda não há data para o resgate das peças de São Paulo, mas o professor Álamo destaca o grande trabalho para se fazer de agora por diante, com a triagem do material, e poderão ser divulgadas novas descobertas, por conta da grande e importante variedade de peças. O procedimento agora será por conta da PF, que vai receber o material da USP, para encaminhar à Polícia Federal em Juazeiro do Norte.

Não tenho dúvida de que vivenciamos hoje uma situação diferente de 1970. O povo caririense não tinha ideia do valor desses fósseis, como agora”, afirma Álamo. Na época, utilizavam peças até como adornos. O pedido teve também o objetivo de sensibilizar as autoridades quanto ao Cariri ter espaços ideais para que esse material fosse estudado, além da grande importância da Paleontologia na região, contando com o museu, em Santana do Cariri, importante equipamento que recebe cerca de 20 mil pessoas por ano. Ele ressaltou a importância do equipamento para o desenvolvimento do turismo científico na região.

Além dos famosos pterossauros do Araripe, há espécies de crocodilos, dinossauros, libélulas, peixes raros, anfíbios, muitos insetos e plantas, principalmente na remessa que se encontra em São Paulo.

Fonte: Diário do Nordeste

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