Pesquisadores descobrem no Cariri fóssil de ave mais antiga do Brasil

Uma espécie de ave colorida e adaptada ao clima árido, que viveu há 115 milhões de anos, no Período Mesozoico, teve sua imagem divulgada na terça-feira, 2, na revista científica Nature Comunications. A reconstituição só foi possível após seis meses de pesquisa, com a descoberta do fóssil da ave mais antiga do Brasil, na Chapada do Araraipe, no interior do Ceará.

Ainda sem nome, o pássaro foi encontrado pelos pesquisadores do Geopark Araripe e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em pesquisa coordenada pelo paleontologista Ismar de Souza Carvalho, do Instituto Geociências. “A lama, depois transformada em pedra de calcário, protegeu os fósseis. Desta forma, conhecemos desde o início a forma dos ossos e a estrutura das penas”, explicou Carvalho.

O paleontologista, autor principal da pesquisa, confirmou que trata-se de uma reconstrução inédita, pois os fósseis de ave são sempre de ossos ocos e achatados pelo empilhamento de rochas. A espécie, conforme o pesquisador Ypsilon Félix, é da Enantiornithes. “Está em qualidade excelente, principalmente porque as aves da era mesozoica são conhecidas por fósseis mal preservados, sem detalhes das penas e anatomia”, destacou Félix.

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O estudo aponta que a ave desapareceu há cerca de 66 milhões de anos, na época da extinção dos dinossauros. A cauda poderia ter função sexual, pois era maior que o corpo, sem ligação com o equilíbrio ou voo.

“Em aves que ostentam uma cauda colorida e chamativa, como o pavão, sua principal função é a identificação de outros animais”, indicou Carvalho. A Chapada do Araripe é uma formação do relevo e sítio arqueológico localizado na divisa dos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco.

A ave era conhecida por fósseis encontrados na China e na Espanha, sendo um registro inédito na América do Sul. “Na época, a América estava unida à África e à Oceania, no supercontinente chamado Gondwana”, disse Carvalho.

O fóssil estará em exposição no Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, nos próximos meses. “Trata-se de uma jóia da paleontologia brasileira, podemor ver que a cauda tinha duas penas longa”, frisou Ismar.

* Com informação: O Povo

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