A interiorização das empresas no Ceará depende de benefícios fiscais, infraestrutura e oferta de mão de obra
Fortaleza/São Paulo. Os novos investimentos no Ceará continuam em sua maioria concentrados em Fortaleza e em municípios da Região Metropolitana. Das 20 empresas que se instalaram no Estado neste ano, recebendo incentivos fiscais do governo, cinco fincaram seus escritórios na Capital. Outras 12 seguiram para a RMF (Itaitinga, Maracanaú, Pacatuba, Pacajus, Horizonte, Aquiraz, Eusébio). Essas 17 organizações representam 85% dos novos investimentos. Apenas três foram além, para Jaguaribe, Iguatu e Sobral.
A interiorização das empresas tem como principal atrativo os benefícios fiscais. Segundo o presidente do Cede (Conselho de Desenvolvimento Econômico do Ceará), Ivan Bezerra, quanto mais distante da Capital e quanto mais pobre for o município, maior é o incentivo.
"Abatimento de 65% do ICMS, terraplanagem e negociação do terreno com o prefeito", enumera Bezerra os principais estímulos concedidos.
"A Capital e a Região Metropolitana já têm muita indústria", explica. "Os incentivos servem para industrializar o interior e evitar que os moradores venham para Fortaleza".
Fatores de decisão
Cada negócio considera também o tamanho da população da cidade onde se instalar, além dos incentivos fiscais e outras razões próprias do desenho estratégico da empresa. Diretor da Fiec (Federação das Indústrias do Ceará), Lima Matos, fala em um conjunto de fatores para escolher o destino da empresa. "É preciso analisar benefícios fiscais, terraplanagem, doação de terreno, oferta de água, energia, acesso, se há mão de obra disponível para contratar, se o Estado tem segurança financeira para cumprir os compromissos", afirma. "A decisão depende do tipo de produção".
De acordo com ele, atualmente, algumas empresas são menos intensiva de mão de obra, ou seja, contratam menos trabalhadores e acabam indo para cidades menores. "Apesar disso também deve se considerar a estrutura, como hospitais, supermercados, áreas de lazer".
Cidades menores na mira
No Brasil, já se observa que o novo cenário econômico fez as empresas ampliarem o leque de cidades no radar de expansão. Um grupo que antes considerava, por exemplo, municípios com mais de 300 mil habitantes para a abertura de novas unidades, hoje considera a entrada em um de 200 mil. Essa mudança acrescenta 54 novos nomes na lista dos locais com potencial. No Ceará, somente Fortaleza e Caucaia têm população acima de 300 mil habitantes. Ao se considerar 200 mil, entram na lista Juazeiro do Norte e a já bem procurada Maracanaú.
Referência
O critério de população é uma referência, não uma regra fechada, mas serve de ponto de partida na avaliação para abertura de negócios. Fatores como renda e potencial de consumo vêm em seguida no estudo de viabilidade. Renner, KIA, MRV e Spoleto, além do setor de shoppings são exemplos da mudança. Mostram também que a alteração não se restringe a apenas a um segmento. Impulsionada por um agressivo plano de expansão, a Kia considerava, até 2008, cidades com mais de 500 mil habitantes para a instalação de novas concessionárias. O critério passou por duas revisões e, hoje, é estimada em municípios com mais de 180 mil habitantes. "O Brasil está crescendo muito, e o poder aquisitivo da população acompanha esse ritmo; surgem novas cidades", diz o diretor de vendas da Kia, Ary Jorge Ribeiro. O crédito dá força a esse processo. É o que explica em boa parte a recente revisão da MRV. A construtora passou a considerar cidades com mais de 100 mil habitantes para novos empreendimentos. Antes, olhava só as com mais de 200 mil. Se outras empresas adotarem a possibilidade de irem a cidades com mais de 100 habitantes, o Ceará oferece Sobral, Crato, Itapipoca e Maranguape.
Fortaleza/São Paulo. Os novos investimentos no Ceará continuam em sua maioria concentrados em Fortaleza e em municípios da Região Metropolitana. Das 20 empresas que se instalaram no Estado neste ano, recebendo incentivos fiscais do governo, cinco fincaram seus escritórios na Capital. Outras 12 seguiram para a RMF (Itaitinga, Maracanaú, Pacatuba, Pacajus, Horizonte, Aquiraz, Eusébio). Essas 17 organizações representam 85% dos novos investimentos. Apenas três foram além, para Jaguaribe, Iguatu e Sobral.
A interiorização das empresas tem como principal atrativo os benefícios fiscais. Segundo o presidente do Cede (Conselho de Desenvolvimento Econômico do Ceará), Ivan Bezerra, quanto mais distante da Capital e quanto mais pobre for o município, maior é o incentivo.
"Abatimento de 65% do ICMS, terraplanagem e negociação do terreno com o prefeito", enumera Bezerra os principais estímulos concedidos.
"A Capital e a Região Metropolitana já têm muita indústria", explica. "Os incentivos servem para industrializar o interior e evitar que os moradores venham para Fortaleza".
Fatores de decisão
Cada negócio considera também o tamanho da população da cidade onde se instalar, além dos incentivos fiscais e outras razões próprias do desenho estratégico da empresa. Diretor da Fiec (Federação das Indústrias do Ceará), Lima Matos, fala em um conjunto de fatores para escolher o destino da empresa. "É preciso analisar benefícios fiscais, terraplanagem, doação de terreno, oferta de água, energia, acesso, se há mão de obra disponível para contratar, se o Estado tem segurança financeira para cumprir os compromissos", afirma. "A decisão depende do tipo de produção".
De acordo com ele, atualmente, algumas empresas são menos intensiva de mão de obra, ou seja, contratam menos trabalhadores e acabam indo para cidades menores. "Apesar disso também deve se considerar a estrutura, como hospitais, supermercados, áreas de lazer".
Cidades menores na mira
No Brasil, já se observa que o novo cenário econômico fez as empresas ampliarem o leque de cidades no radar de expansão. Um grupo que antes considerava, por exemplo, municípios com mais de 300 mil habitantes para a abertura de novas unidades, hoje considera a entrada em um de 200 mil. Essa mudança acrescenta 54 novos nomes na lista dos locais com potencial. No Ceará, somente Fortaleza e Caucaia têm população acima de 300 mil habitantes. Ao se considerar 200 mil, entram na lista Juazeiro do Norte e a já bem procurada Maracanaú.
Referência
O critério de população é uma referência, não uma regra fechada, mas serve de ponto de partida na avaliação para abertura de negócios. Fatores como renda e potencial de consumo vêm em seguida no estudo de viabilidade. Renner, KIA, MRV e Spoleto, além do setor de shoppings são exemplos da mudança. Mostram também que a alteração não se restringe a apenas a um segmento. Impulsionada por um agressivo plano de expansão, a Kia considerava, até 2008, cidades com mais de 500 mil habitantes para a instalação de novas concessionárias. O critério passou por duas revisões e, hoje, é estimada em municípios com mais de 180 mil habitantes. "O Brasil está crescendo muito, e o poder aquisitivo da população acompanha esse ritmo; surgem novas cidades", diz o diretor de vendas da Kia, Ary Jorge Ribeiro. O crédito dá força a esse processo. É o que explica em boa parte a recente revisão da MRV. A construtora passou a considerar cidades com mais de 100 mil habitantes para novos empreendimentos. Antes, olhava só as com mais de 200 mil. Se outras empresas adotarem a possibilidade de irem a cidades com mais de 100 habitantes, o Ceará oferece Sobral, Crato, Itapipoca e Maranguape.

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